
(foto de Paulo Duarte)
Filipe Sarmento jogador profissional de futebol da equipa da Académica, revelando-nos como foi a sua adaptação à cidade de Coimbra com o intuito de realizar um sonho de criança. Anunciando ainda, todo o seu desejo em jogar num clube de maiores dimensões fora de Portugal, para além de prenunciar também as suas dificuldades em ultrapassar uma deficiente inscrição na Federação Portuguesa de Futebol na época 2006/07.
Paulo Rodrigues: Sendo natural de Aveiro, acha que em Coimbra é mais fácil encontrar a oportunidade de se tornar profissional de futebol?
Filipe Sarmento: Não, penso que é tão difícil chegar a profissional de futebol em Coimbra como em Aveiro, mas como a equipa da Académica me fez um convite para jogar, decidi arriscar, com a possibilidade de um dia jogar na primeira divisão.
PR: Como jogador mais novo do plantel sénior da académica, considera que é uma desvantagem em relação aos outros jogadores?
FS: Tenho a certeza de que é uma grande desvantagem, porque basta ser jovem e falhar apenas uma vez, para ser logo apontado. No entanto é sempre bom estar com jogadores mais velhos, com quem podemos aprender bastante.
PR: Qual é a sua opinião acerca da escassa aposta em jovens na primeira liga portuguesa?
FS: A realidade em Portugal está bem patente, assim como o Sr. Gilberto Madaíl disse em conferência de imprensa à bem pouco tempo, ou seja, que irão dar prémios aos clubes em que apostem nos seus jovens formandos, que na minha opinião, isso só tem vindo a acontecer no Sporting. As estatísticas são bem claras, o número de jogadores brasileiros por equipa na primeira liga portuguesa, é superior a quatro, ou seja, os jovens portugueses perdem cada vez mais espaço nas equipas. Exemplos de sucessos, ao contrário de todos os outros clubes portugueses, é o caso do Sporting, como já anteriormente referi, em que todos os anos conseguem formar jogadores como: Yannick Djaló, Miguel Veloso, Nani, João Moutinho, Rui Patrício e Cristiano Ronaldo.
PR: Ao ser mal inscrito na Federação Portuguesa de Futebol na época de 2007/08. Considera a direcção do seu clube a principal culpada de todo o caso?
FS: Nem sequer posso colocar outra hipótese, mas sendo que todos nós estamos sujeitos a errar, e considerando que esse erro não foi propositado, apesar de me ter trazido alguns transtornos durante essa época, aceitei o pedido de desculpas, hoje somos grandes amigos e não lhe guardo qualquer tipo de rancor.
PR: O Sarmento sabe que a sua equipa podia ter descido de divisão, por ter sido mal inscrito na Federação Portuguesa de futebol?
FS: Sim, tenho a plena noção de que a Académica poderia ter descido de divisão nessa época. Como no caso da descida de divisão do Gil Vicente com a má inscrição do jogador Mateus, reconheço que tivemos alguma sorte por ninguém se ter lembrado da minha infeliz inscrição na federação.
PR: Encara a possibilidade de jogar no estrangeiro, caso lhe surja alguma oportunidade?
FS: Sim, obviamente que se tiver de sair do país para progredir na minha carreira futebolística, não olharei para trás, pois também não pretendo ficar na Académica o resto da minha carreira.
PR: Recebeu alguma proposta recentemente para jogar no estrangeiro?
FS: Sim, o meu empresário já me informou que tenho propostas de ligas secundárias de Espanha e Inglaterra, agora vamos estudar as várias hipóteses e ver qual é a melhor para mim e para a Académica. Às vezes é necessário sair de um clube para ter mais oportunidades, e nestes casos os jogadores nunca podem pensar com o coração, mas sim, naquilo que imaginam que lhes poderá trazer melhor futuro.